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Com quase quatro décadas de rua, bloco que nasceu no fim da ditadura abre o carnaval em Sorocaba

Assista a uma reportagem especial sobre o bloco, exibida em 2025 O bloco Depois a Gente Se Vira abre oficialmente o carnaval de Sorocaba (SP) nesta sexta-feira...

Com quase quatro décadas de rua, bloco que nasceu no fim da ditadura abre o carnaval em Sorocaba
Com quase quatro décadas de rua, bloco que nasceu no fim da ditadura abre o carnaval em Sorocaba (Foto: Reprodução)

Assista a uma reportagem especial sobre o bloco, exibida em 2025 O bloco Depois a Gente Se Vira abre oficialmente o carnaval de Sorocaba (SP) nesta sexta-feira (13), mantendo a tradição de quase quatro décadas de aliar folia e crítica social. Neste ano, o tema escolhido é a luta pelo direito e segurança das mulheres, com o lema: "Um Carnaval por um Mundo Seguro para as Mulheres". Para contar essa história, o g1 conversou com José Orivaldo Simonetti, um dos fundadores do bloco. Ele explica que a origem do grupo está ligada ao fim da ditadura militar no Brasil. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp "Em 1986, logo após o fim da ditadura, eu e o professor Nilo Antônio Carlos Seifert assistimos a um filme que nos animou a abrir um bar. Assim nasceu o Depois, na Eugênio Salerno. A ideia inicial era Depois das 17h, mas ficou só Depois. O bar acabou virando ponto de encontro cultural e ali surgiu a vontade de criar um bloco. Como já era o fim de ano, deixamos para 1987", conta. Simonetti e seu amigo durante o bloco Depois a Gente se Vira Arquivo pessoal O ambiente boêmio do bar logo se tornou um ponto de encontro onde cultura e política caminhavam juntas, e o próximo passo foi levar a folia para as ruas. "Assim, nós reunimos cerca de seis ou sete amigos, os 'generais da banda', e começamos a pensar em cores, porta-bandeira e tudo mais. Com muito amadorismo, mas muita vontade, fomos às ruas na sexta-feira que antecede o carnaval. Foi assim que o bloco Depois da Gente Se Vira nasceu: do encontro de outros amigos dentro do bar", lembra Simonetti. Participantes do bloco Depois a Gente se Vira Arquivo pessoal Simonetti destaca que uma característica fundamental do movimento era a liberdade, em um Brasil que caminhava para a redemocratização. Por isso, a decisão de não usar cordas de isolamento no bloco se tornou um símbolo para aqueles jovens. O nome e o logotipo do bloco também nasceram de forma espontânea, em uma mesa de bar. O responsável pela criação foi o publicitário Manuel Mota, o Mané Mota. "Ele fez um desenho e criou o nome e o logotipo, e assim o nome Depois a Gente se Vira foi adotado, e hoje estão nas camisetas, porta-bandeiras. Tudo nasceu desse pequeno esboço do Mané Mota, o bar foi só o embrião do nosso bloco", explica Simonetti. Com 39 anos de existência e 37 desfiles de rua, o bloco já abordou diversos temas e prestou várias homenagens. Simonetti se emociona ao falar da longevidade do grupo. "Só paramos por dois anos durante a pandemia. Durar tanto tempo assim é algo raro, que só acontece em lugares como Recife e Rio de Janeiro", finaliza. Desfile do Depois a Gente se Vira Quando: sexta-feira (13); Concentração: 19h; Local: Avenida Doutor Eugênio Salerno; Trajeto: o bloco segue pela Praça Nove de Julho, ruas Moreira César e Cesário Mota, com encerramento na Praça Frei Baraúna. Participantes do bloco Depois a Gente se Vira Arquivo pessoal *Colaborou sob supervisão de Gabriela Almeida Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM