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Anhangabaú teve enchente em 1999, quando 160 veículos ficaram submersos; protocolo da CET prevê bloqueio preventivo do túnel

Túnel do Anhangabaú sofreu inundação semelhante em 1.999 O alagamento do Túnel do Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, na quarta-feira (14), fez a...

Anhangabaú teve enchente em 1999, quando 160 veículos ficaram submersos; protocolo da CET prevê bloqueio preventivo do túnel
Anhangabaú teve enchente em 1999, quando 160 veículos ficaram submersos; protocolo da CET prevê bloqueio preventivo do túnel (Foto: Reprodução)

Túnel do Anhangabaú sofreu inundação semelhante em 1.999 O alagamento do Túnel do Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, na quarta-feira (14), fez a cidade reviver cenas semelhantes às de março de 1999, quando cerca de 160 veículos, entre eles três ônibus, ficaram submersos durante uma enchente. Na ocasião, a água chegou ao teto da passagem subterrânea, de aproximadamente cinco metros de altura, segundo informações dos bombeiros da época. Mais de 27 anos depois, a forte chuva voltou a transformar o túnel em uma armadilha para motoristas e passageiros. De acordo com a TV Globo, o alagamento desta quarta deixou 26 carros e dois ônibus submersos. Imagens mostram veículos boiando, carros batidos e sobrepostos e pessoas tentando escapar da inundação. O episódio levanta questionamentos sobre a prevenção de enchentes na passagem subterrânea. Um protocolo de trânsito divulgado em 2006 pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que é vinculada à Prefeitura de São Paulo, prevê o bloqueio de faixas ou o fechamento total do túnel quando há informação de que a chuva está a caminho (leia mais abaixo). Nesta quarta, porém, a via no sentido Zona Norte não foi fechada antes da inundação. A Defesa Civil emitiu dois alertas severos e informou sobre a formação de uma chuva intensa, com raios e ventania, além de toda a capital ter entrado em estado de atenção para alagamentos às 15h25, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) da prefeitura. Alagamento no túnel do Anhangabaú em 1999 (à esquerda) e em 2026 (à direita). Reprodução/TV Globo O motorista de aplicativo Maury Lucas, que estava no túnel com uma passageira, relatou que o trânsito parou antes de a água começar a invadir a via. Segundo ele, a enxurrada avançou rapidamente, até que a água atingiu o veículo, e o motor desligou. Maury Lucas também afirmou ter visto um carro da CET no local e disse que, na sua avaliação, não houve uma ação preventiva para impedir a entrada de veículos antes do alagamento. "Quando começou tudo, em vez dos caras [agentes da CET] descerem e começarem a organizar para todo mundo conseguir voltar em segurança, ele simplesmente abandonou o carro deles lá, e saiu do túnel", disse. Na avaliação do motorista, a equipe deveria ter orientado os motoristas a sair da passagem ou impedido a entrada de novos veículos. "Mesmo assim, eles não fecharam [o túnel]. Como eles já sabem que o túnel tem essa probabilidade de alagar, o que eles tinham que ter feito? Fechar a avenida e acessar algum desvio para não acontecer isso que aconteceu." Anhangabaú registrou enchente em 1999, quando 160 veículos ficaram submersos; protocolo da CET prevê bloqueio preventivo do túnel "Aqui dentro tinham muitos trabalhadores, muitas pessoas que não tinham seguro no carro. E você vê a situação dos carros, está um pior que o outro." Às 18h30, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou, em publicação no Instagram, que equipes municipais trabalhavam para restabelecer a circulação. Uma faixa da esquerda foi liberada às 19h14. Enchente de 1999 Em 1º de março de 1999, depois de dias de pancadas de chuva, o Túnel do Anhangabaú ficou completamente inundado. Segundo informações dos bombeiros divulgadas na época, a água atingiu o teto da passagem, que tem cerca de cinco metros de altura. Testemunhas relataram que o nível da água subiu em menos de cinco minutos, dificultando a reação das pessoas que estavam no local. Aproximadamente 160 veículos ficaram submersos, incluindo três ônibus. Alagamento no túnel do Anhangabaú em 1999. Arquivo/TV Globo Alagamento no Anhangabaú, em 1999. Arquivo/TV Globo Equipes do Corpo de Bombeiros fizeram buscas para verificar se havia vítimas de afogamento. Não há, porém, comprovação oficial de que alguém tenha morrido naquele alagamento. A ocorrência de 1999 já mostrava a vulnerabilidade da ligação subterrânea a episódios de chuva intensa. O problema voltou a aparecer em outros momentos: em 2021, uma forte chuva também provocou o alagamento de uma das pistas do túnel no sentido Zona Sul. O que prevê o protocolo da CET Em material publicado em dezembro de 2006 sobre a Operação Chuvas, a CET descreveu uma série de medidas preventivas para reduzir os riscos à circulação durante temporais. O documento afirma que, no Vale do Anhangabaú, um operador de trânsito permanece de prontidão 24 horas por dia, independentemente da ocorrência de chuva. O procedimento prevê o bloqueio de algumas faixas para reduzir o fluxo de veículos no interior do túnel ou o fechamento total da passagem quando há informação de que a chuva está a caminho. Segundo o material, o objetivo é antecipar a atuação dos agentes e evitar que pessoas e veículos sejam arrastados pela água. A operação é acionada a partir de informações do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), que comunica a situação à central da CET. O documento também detalha rotas alternativas para os dois sentidos do Túnel do Anhangabaú em caso de interdição. Nesta quarta-feira, a CET afirmou apenas que adotou o protocolo de Estado de Atenção e que as interdições começaram às 15h38. A companhia não explicou, porém, porque um dos sentidos continuou aberto para carros. Carros amontoados após inundação no túnel do Anhangabaú, em SP, nesta quarta (14) Reprodução/TV Globo Carros e ônibus boiam no túnel do Anhangabaú durante chuva forte em SP Arquivo Pessoal Bombas não deram conta A Prefeitura de São Paulo informou que o túnel conta com seis bombas de drenagem, que funcionaram ininterruptamente durante o episódio, sem registro de problemas. Segundo a administração municipal, a capacidade de vazão do sistema, no entanto, não foi suficiente para escoar o volume de água registrado. A prefeitura afirmou que o sistema de drenagem é monitorado 24 horas por dia por meio de sensores e câmeras. Um caminhão de bombeamento emergencial foi enviado para reforçar a retirada da água, enquanto equipes de limpeza urbana passaram a atuar nos trechos em que o nível já havia baixado. Nunes disse que foram mobilizadas equipes de limpeza, hidrojateamento, guinchos e bombeamento. O túnel chegou a ficar paralisado no sentido Sul-Norte, e os trabalhos buscavam desobstruir a passagem nos dois sentidos. Carros e ônibus boiam no túnel do Anhangabaú, na região central de SP; há vítimas Alagamentos no Anhangabaú O Vale do Anhangabaú passou por diferentes intervenções ao longo das últimas décadas para tentar reduzir os alagamentos na região central. Na década de 1980, o projeto de reurbanização do vale também buscava solucionar as enchentes que interrompiam a ligação viária entre as regiões Norte e Sul da cidade. As obras começaram em 1986, durante a gestão do prefeito Jânio Quadros, e continuaram na administração seguinte. Em 1991, durante a gestão da prefeita Luiza Erundina, foi criada a Operação Urbana Anhangabaú, que previa a captação de recursos para intervenções na região, incluindo obras relacionadas à macrodrenagem, sistema responsável por escoar grandes volumes de água da chuva. Em 2006, começaram as obras de recuperação e ampliação das galerias do córrego Moringuinho, na região da Avenida 23 de Maio. Em janeiro de 2007, a prefeitura anunciou a construção de duas novas galerias. A meta informada pela administração municipal era reduzir em 15% o volume de água que chegava ao córrego Anhangabaú durante as chuvas, diminuindo o risco de alagamento do túnel. Em setembro daquele ano, os trabalhos ainda estavam em andamento. Mais recentemente, o vale passou por uma nova requalificação urbana, com obras iniciadas em junho de 2019 e mudanças na estrutura e nos espaços de convivência. A intervenção urbanística, no entanto, não equivale a uma solução definitiva para os problemas de macrodrenagem da região. Em maio de 2026, a Prefeitura divulgou uma proposta de intervenção no sistema de drenagem da região da Avenida Nove de Julho, também com o objetivo de reduzir os alagamentos que atingem o Centro, incluindo o Vale do Anhangabaú.